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Um texto de Liziane Menezes para a Aliás Editora

Por Liziane Menezes*



Uma noite dentre tantas, mais uma, em que o preto do céu molda-se ao enquadramento das janelas de minha casa. Caminho a esmo, sem destino, nos limites da sala, do quarto, a força impetuosa do silêncio mora comigo, exigindo rigor na melancolia, por isso choro a vida das saudades. Essas partículas de ausência que residem em minha casa, a casa que sou e estou, habitantes sufocantes, atiçam-me na angústia de um porvir avoante. Penso que, um dia, ultrapassarei aquela porta, e vou sangrar, derramando em chãos toda a falta que sinto, vislumbre de um status quo ainda desconhecido. Penso nessa transição, na ação de reganhar o mundo, mas o pandemônio lá fora ainda diz-me não. Então permaneço. Quase como uma refém, pairo diante da força do silêncio, cujo organismo é feito de lembrança. Por fim, estou prisioneira, enjaulada por um tempo que não vem e por um outro tempo que não passa.


** Liziane Menezes. Professora, fingidora de uma escrita poética, mãe de Aureliano e Francisca, mestre em literatura latino-americana. Atua profissionalmente na área de redação, pois acredita que escrever sobre as mazelas do mundo é uma maneira de construir um pensamento ativo, repete constantemente para os alunos que o pensar é uma forma de entender as relações de poder. Aquariana tão aquariana que, muitas vezes, bate o pé e diz por si mesma que, se quiser, pode ser qualquer outro signo, afinal, estamos na vida em constante alinhamento.



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