Um texto da escritora Natália Pinheiro para o blog da Aliás

Natália Pinheiro



Sem toques

Só telas

São múltiplas janelas

abertas no mesmo momento.

Entre corres e corres

Todo mundo corre

Corre!

Tentativas de se multiplicar

“Eu não sou um robô!!!”

Mas será mesmo que não sou um robô?!

Vez ou outra a rotina me faz duvidar...

E eu corro

E eu tento

Entre as p a u s a s

Lembrar do tempo

Em que da janela de fora conseguia enxergar

O laranja que vira cinza

Num céu em que algumas coisas se despedem

para outras poderem chegar

E a minha ânsia de poder enxergar

Um pôr do sol alaranjado

Um céu não enquadrado

Vejo grades por todos os lados

São tantos muros que não sei como derrubar...

E em meio a tudo isso

Penso em como abrir janelas em que delas possa mais que ver,

Enxergar

Céus mais coloridos

Horizontes de trânsito entre tons de partidas e chegadas

E enfim sorrisos

Nos rostos que se acostumaram a chorar.

Porque se o infinito é um instante

Eu desejo, infinitamente, conseguir enxergar

Para além das grades e muros que tapam a vista

Do horizonte

Onde sol se despede

Pra noite poder chegar.


-As estrelas sempre me falam que nem tudo é pura escuridão.



***


Natália Pinheiro é um aquário cheio de água, poeta e slammer, tem um coração amador que não sabe e nem quer hierarquizar amores, historiadora em formação, nascida e criada nas terras do Cariri e integrante do Coletivo Camaradas e Slam das Minas Kariri.



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